sábado, 23 de janeiro de 2016
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
QUEM foi DAVID BOWIE ? Legado , história & influência do camaleão do ROCK na Cultura POP
De todos os artistas da chamada Arte Pop e ou de vanguarda,
podemos destacar DAVID BOWIE certamente como um dos maiores, mais
influentes, originais & inventivos da cena mundial, ditando costumes
na música, arte, cinema, moda, em praticamente TUDO.
Tristemente Bowie nos deixou recentemente vítima de um cancer, mas suas
marcas podem ser vistas & sentidas everywhere.
Inclusive na obra de seu mais honorável discípulo & herdeiro, o Artista multiinstrumentista FABIANO NEGRI.
O blog beware the matrix questionou Fabiano sobre quem foi
Bowie & sua importância para as Artes, além da impressão indelével
deixada no próprio Negri há décadas...
Acho que o próprio Master David Bowie ficaria lisonjeado com esta homenagem.
Leonardo
Mattar Monteiro - Gaga , Marilyn Manson, Duran Duran... pode-se ver a
inspiração dele pra todo lado. Mas e para você, QUEM foi David Bowie,
Fabiano? Onde e como o artista entra em sua vida?
FABIANO NEGRI - David
Bowie foi um cara que abraçou todas as oportunidades que a arte lhe
ofereceu. Nunca teve medo de errar e esse é o motivo pelo qual acertou
tanto.
Conheci
o Bowie ainda criança na época do grande sucesso comercial do Let's
Dance. A partir daí sempre fui fascinado pela sua carreira, e
principalmente por sua coragem de se reinventar. Claro, estamos falando
de um ser humano com inteligência e talento fora do comum. Não adianta
atirar para todo lado se a maioria dos tiros não acertarem o alvo.
LMM - Como artista, músico, quais os sinais mais claros e inegáveis da influência de Bowie em seu próprio trabalho?
FN - Liberdade
artística e total ausência de preconceitos sobre qualquer assunto. Eu
sou o cara que ouve e vê antes de omitir opinião. E também sou uma
esponja quando o assunto me agrada. Bowie me ensinou a buscar inspiração
em lugares pouco visitados pela maioria. Na verdade eu demorei um pouco
para começar a expor esse lado, que me acompanha há tantos anos. Mas
daqui pra frente minha arte estará muito mais "fora" do que "dentro da
casinha". Meus últimos lançamentos solo já mostram isso e tudo tende a
ficar um pouco mais interessante.
LMM - Bowie também teve carreira prolífica e extraordinária no
cinema, atuando em obras primas como "The Hunger" [ Fome de Viver ],
"The man who fell to Earth" [ O Homem que caiu na Terra ],
"Labyrinth"... Acha que Bowie foi subestimado com relação a maneira como
viam sua carreira como ator?
FN - Bowie
se arriscava muito, mas ele não faria alguma coisa sem ter certeza que
poderia contribuir de forma satisfatória. Era um grande ator e teve
formação para isso. Basta dizer que no início de sua carreira foi pupilo
do genial Lindsay Kemp. Não acho que tenha sido subestimado, pois seus
filmes estão muito bem guardados no inconsciente de várias pessoas. É apenas mais uma faceta do talento do mestre.
LMM - Bowie marcou gente de gerações diferentes, como eu mesmo
& você, e ao que parece continuará influenciando as que estão por
vir... É possível mensurar o tamanho ou o peso da importância de David
Bowie nas Artes?
FN - Não.
A contribuição dele é tão grande, e abrange tantas áreas diferentes,
que é difícil mensurar o tamanho do seu impacto. E eu imagino que sua
morte levará isso para a estratosfera. O que é muito bom. Espero que o
mundo pare novamente para perceber o quanto esse artista foi, e é,
genial. Para quem não mergulhou em sua obra, não é assunto para um mês e
nem para um ano. É para uma vida de absorção. Até hoje eu ainda me
surpreendo com as camadas de sua personalidade.
Se você não conhece e tem paciência para apreciar arte de qualidade, corra atrás de tudo o que ele fez. Agora!
LMM - Conheço poucos seres humanos na face da Terra que tenham
tanto ou mais conhecimento da obra musical de David Bowie que você,
Fabiano. Se tivesse de analisar suas diferentes fases musicais ao longo
destas décadas todas, qual seria sua avaliação?
FN - Olha, Leo, eu teria que escrever um livro. Não dá pra falar de folk, rock, hard rock, pop, new wave, gothic music, krautrock, dodecaphonic
music,metal, industrial, jazz, art rock, art pop, punk e etc. em poucas e
tortas linhas. Seria injusto. Parece brincadeira, né? Mas Bowie esteve
envolvido em todos esses estilos e movimentos. E sempre criou ótimos
trabalhos. Mas eu volto a insistir: a grande contribuição do Bowie para a
música foi fazer as pessoas - inteligentes, é claro - perceberem que
ela não precisa ter rótulos, e só existem dois tipos, boa e ruim.
Estamos falando de LIBERDADE!!
LMM - Sei que adorou BLACKSTAR [ Álbum final do artista lançado
poucos dias antes de sua morte ] . São tantas fases musical &
conceitualmente falando, que cada um terá seu álbum / canção favoritos [
eu, por exemplo, amo & acho a fase Berlin, da Trilogia sagrada LOW /
HEROES / LODGER com suporte do Mestre Brian Eno, insuperável ]. Se
tivesse de citar 1 Álbum favorito, qual seria? E canção, é possível
escolher UMA que simbolize o camaleão?...
FN - Meu
álbum favorito é o Station to Station e minha mais nova canção favorita
é Blackstar. Ninguém até hoje foi cerebral ao ponto de transformar a
própria morte em arte. Respeitoso com os fãs, e genial pela última vez.
https://www.youtube.com/watch?v=kszLwBaC4Sw
LMM - Seu mais recente & avantgarde trabalho musical, Z3RO,
na minha opinião tem muito do Mestre Bowie, assim como "Potsdamer
Platz", do título à estética, à sonoridade. Estou equivocado ou faz
sentido?
FN - Claro
que faz sentido. Eu me inspiro muito no trabalho do Bowie. Sempre me
inspirei. Não é a toa que meu nome artístico no inicio do Rei Lagarto
era David Popp, né? Mas que fique claro, eu tenho influência, não copio.
Não quero ser o Bowie. Eu quero ser "eu" com a coragem que ele teve pra
fazer o que bem entendesse.
LMM - Agora que Bowie se foi, só vejo você em termos de
conhecimento musical & ecletismo para manter a tocha camaleônica
acesa. Pronto para continuar o legado, Mestre Negri?
FN - Imagina,
Leo! Longe disso. Bowie era um gênio, sempre foi. Eu sou um cara que
trabalha muito, e seriamente. Mas não sou um gênio. Passei muitos anos
da minha vida investindo num som ordinário - muito legal, mas ordinário -
e tive coragem de assumir quem eu realmente sou há pouco tempo. Ainda
estou engatinhando, aprendendo a me soltar e deixar minha imaginação
fluir. A viagem está só começando mas eu garanto que será muito
divertida.
Viva Bowie!!! Obrigado por tudo, Mestre.
Obrigado a VOCÊ também , Mestre Negri!
Abaixo segue a carta de elegia que Fabiano escreveu no dia da morte de Bowie.
" E o cara que me ensinou praticamente tudo na música se foi... E ele era tão genial que transformou sua própria morte em arte. Arte bela, inédita, sem rótulos, como tantas vezes ele fez durante a vida. O camaleão foi influência recorrente em praticamente tudo o que eu fiz - e farei - na música. Foi ele que me ensinou a não me prender a apenas um estilo, a pensar fora da casinha na hora de criar harmonias, melodias e arranjos, a ser verdadeiro e honesto com o que eu faço. Major Tom, Ziggy Stardust, Alladin Sane, Thin White Duke... Como uma amiga colocou muito bem no Facebook, a morte do mestre não é uma simples morte, é um genocídio artístico. Tantos personagens, tantas músicas incríveis... Nunca mais existirá um artista como ele. Um artista que não teve medo de matar um personagem no auge do sucesso porque musicalmente já não era mais interessante pra ele. Que mudou tantas vezes de estilo, que confundiu - e perdeu - muitos fãs pelo caminho. Que nunca deixou nada corromper sua arte, sua música. Um artista de verdade, que venceu porque desfilou diversas camadas de sua personalidade sem medo de errar. Foi homem, mulher, alienígena...Foi tudo. Mestre, dia desses eu escrevi em uma entrevista que se eu pudesse fazer 10% do que você fez eu estaria feliz. Eu sei que não irei conseguir tal feito. Afinal, ídolos são intocáveis. Eu gosto de pensar assim. Eu amo viver a magia de ser simplesmente fã. E na arte que eu amo você foi o grande mágico. Deixo aqui, com o coração apertado, minha singela homenagem. Obrigado por tudo, David Bowie".
https://soundcloud.com/fabianonegri/fabiano-negri-quicksand …
FABIANO NEGRI lançou quase simultaneamente com o último álbum de Bowie um de seus trabalhos mais ousados, o double single Z3RO + MY DARK PASSENGER. Tive o privilégio de ouvir os mesmos in advance meses atrás. Os ouvintes de boa música tem o mesmo privilégio agora, o(s) single(s) foi disponibilizado(s) pelo Artista para audição & download em sua página no soundcloud. Ouçam, baixem, deleitem-se, compartilhem :
https://soundcloud.com/fabianonegri/sets/z-e-r-o
domingo, 17 de janeiro de 2016
Interview com o Músico da cena Metal BRUNNO MARIANTE
Foi em seu home studio
com vista para a cidade, e sua ‘petite chienne’ Belinha nos
observando, que Brunno abriu sua alma e contou muita coisa do que já rolou em sua carreira do
que ainda está por vir... A seguir a transcrição de nosso bate papo:
Leonardo Mattar Monteiro – Antes de
mais nada, temos perdido grandes figuras da Música logo neste fim / início de
anos. Philty ‘Animal’ Taylor, Lemmy Kilmister [praticamente o grupo Motörhead
inteiro], David Bowie, só para citar os mais notórios. Estes caras te
influenciaram? Tem importância na sua história de vida?
Brunno Mariante – Tem e muita. David Bowie
teve uma importância vital no meu processo de formação como músico. Fui aluno
do Fabiano [Negri, Ex. Cromat, Escola Cultura Pop]; meu domínio da técnica na época ainda
era muito rudimentar, então procurava vocais e timbres que me fossem melhores e
confortáveis. Eis que o Fabiano me passava canções do Mestre Bowie para
ensaiar. Então, ao invés de passar Chico Buarque, ouvia e cantava Bowie! Recentemente
fui criticado numa rede social ao comentar sobre a morte de David, disseram
algo como: “Mas você nem ouve Bowie, Brunno”! Só que pouca gente sabe dos meus
primórdios como estudante de música. Então, mesmo não ouvindo mais seu
trabalho, Bowie tem sim muita importância em minha formação.
Agora, quanto ao Lemmy, Phil "Annimal" Taylor, é
até óbvio: Motörhead foi uma das primeiras bandas que ouvi em toda minha
história. Lembro-me de ter ouvido o baixo estourado e aquela voz rouca, suja, e
pensava: “Será que o cara emposta a voz e canta assim ou ela é deste jeito
mesmo”? Nem tenho muito o que dizer, claro que marcou minha vida.
LMM – E como entra a Música & o Metal em sua vida então? Pode
parecer uma pergunta meio clichê, mas já ouvi de alguns músicos que não se lembravam
de exatamente quando & como... Lembra-se quando e qual foi o primeiro álbum
que ouviu?
BM - A banda que me introduz ao METAL,
IRON MAIDEN [nota deste que vos fala: para mim também, em 1983, álbum “Piece of
Mind”; a abertura de Nicko para “Where Eagles Dare” me marcou de forma
indescritível. Para Mariante foi...] O primeiro álbum? “Number of the Beast”.
Para mim ainda o maior e melhor trabalho do grupo. Tinha doze anos de idade [same
same, Brunno, quando ouvi Iron pela 1ª vez =], guardava o dinheiro que tinha
para finalmente comprar o “Number...” já em CD! Minha segunda ‘bolachinha’ foi
“Refuse / Resist” do nosso SEPULTURA!
LMM - Então desde o inicio, o Metal já
estava presente em sua vida...
BM – Pois é... Mas ninguém me apoiava
em minha família. Todo mundo tentou me dissuadir. E quanto mais eles tentavam, mais eu mergulhava nesta
minha paixão. Formei-me em Artes Visuais & Design, posteriormente também em
Marketing, mas a música seguia paralelamente, sempre. Como já mencionado antes, tive aulas com o
Negri na escola Cromat, formei minha primeira banda, Wet Floor, um tempo
depois, aí veio o período com o Nitrojam de 2005 até hoje...
LMM – Apesar de tantos percalços até
agora, o Nitrojam, me parece, vive seu momento mais significativo.
Andreas Dehn [ex-Kamala] e Mauricio Figueiredo [ex-Maestrik] na formação
atual, um álbum recente admirável [
“Twilight Zone” ], seu vocal mais seguro, em clara evolução.
Quais são os planos futuros para o grupo?
BM - Sobre este ano, precisamos consolidar
nossa formação. Andreas se incorporou muito bem ao time, agora está retornando
à sua casa original [o SoulRiver] também, temos três composições brand new,
"Ready to die” [que já foi “Wings of Liberty”, até chegou a ser tocada ao vivo algumas vezes, na opinião deste que vos escreve,
uma das melhores já criadas por Mariante], "Fighting Force” e “Beta Ray”; além destas,
tenho no meu home studio pelo menos esqueletos para mais umas 16, 17 faixas...
Capa do Álbum TWILIGHT ZONE da banda NITROJAM realizada por FERNANDO RICCIARDULLI [ Estúdio Chromatic Chaos do México ]
LMM – E como foi trabalhar com Ricardo Palma em Estúdio?
LMM – E como foi trabalhar com Ricardo Palma em Estúdio?
BM – Ricardo Palma é foda! Tocou todos os
baixos no "Twilight Zone" além de gravar & produzir o mesmo em tempo recorde. Foi
um milagre. Não imagino trabalhar com um produtor no Brasil melhor que ele. Seu
know how é ducaralho. O cara trabalhou em New York com o técnico de som que
fazia mesa para o DREAM THEATER. Por aí você faz uma ideia... [ não à toa
Fabiano Negri também trabalha quase sempre com Palma ].
LMM – Como compõe? Sozinho no estúdio?
BM – Compor é um processo engraçado...
Apesar de sempre seguir o mesmo modus operandi [Brunno é extremamente
disciplinado, trabalha as bases musicais na guitarra, depois pensa as linhas
vocais para somente então desenvolver / encaixar as letras], a maneira como as
ideias surgem é interessante. Às vezes tô no trânsito, surge um riff na cabeça,
ligo o gravador e canto de qualquer jeito! [risos] Aí só depois quando chego em
casa corro pra passar pro Guitar Pro, Easy Drummer, etc, e começo o processo de
criação propriamente dito! Então eu e o Andreas coordenamos tudo entre o home
studio dele e o meu.
LMM – Se tem uma coleção tão grande de
novas composições, podemos esperar um novo álbum do Nitrojam para este ano?
BM – Acho que não... Somente em 2017 ou 2018. Antes,
temos que fechar nossa formação atual. Cogitamos alguns bateristas, como Rikk
M. e Nílton Lucena, mas nada está acertado ainda. Por enquanto, meu foco e
dedicação maiores estão com o Vindicta, este sim deve lançar um EP muito em
breve...Além disso eu estou com uma pegada mais
‘raçuda’ mesmo ultimamente. Uma volta às raízes do grupo, com mais experiência
e técnica. Tento fugir dos clichês pré-estabelecidos. Tem uma história hilária
sobre isso: recentemente, o Vindicta foi ‘rejeitado’ por um sujeito que
administra uma página de Curitiba que autodenominei ‘DESUnião do Metal Brasil’.
Qual a razão, segundo ele? Porque não seríamos ‘Doom’ o suficiente para a
página dele – ou seja, não tiramos fotinhos com árvores secas, não sucumbimos aos
clichês. Nossa sessão de fotos, realizada por Rita Leite, foi em PB, em cima de
uma HD... Gente de mentalidade tacanha e limitada, mas enfim...
LMM – Ok, então fale sobre o Vindicta em
2016.
BM – A banda está de vento em popa; já
começamos o ano com vários shows marcados. Dia 6 de Março estaremos no Sebastian Bar com
um cast de bandas muito bom, Holder of Souls, X-Empire, Fenrir’s Scar... Além
do quê, também temos ideias já formalizadas de composições que fechariam quase
dois álbuns... Umas 18 faixas pelo menos...
LMM – Uau ! E vão lançar isto tudo de uma
vez?
BM – Não! Selecionaremos as melhores
canções e fecharemos num EP.
LMM – Sua gata Leonora [Mölka, baterista]
toca contigo no Vindicta. Como é a relação profissional, rolam aquelas tretas
típicas de banda com ela também?
BM – Leonora é de Áries, eu de Touro... Mas
sou um Taurino atípico. Não sei como, mas rola tudo as mil maravilhas. Somos
mais ‘parceiros de crime’, cúmplices com as ideias para a banda, do que
antagonistas. Temos conflitos na banda, mas posso garantir que NÃO são com ela!
[risos]
No Nitrojam me acostumei a escrever, fazer
tudo praticamente sozinho. Com o Vindicta, é muito diferente. Para
começar, o
Vindicta é a banda da Leonora. Apesar de ter sido convidado para ser o
vocalista, o processo de composição é coletivo. Depois da entrada de um
segundo
guita, tudo tem funcionado melhor. E Rick [ Pozzy ] é o ‘nosso’ Adrian
Smith;
ele é o cara mais ‘clássico’ do grupo, somando muito ao nosso som.
Comecei na
banda criando muita coisa musicalmente. Mas atualmente, sou mais
letrista e
frontman mesmo. Quem mais compõe no momento os principais esqueletos das
músicas da banda toda, é o Jonathan {Baixista} e nós completamos e preenchemos as
lacunas.
Lembrando que alguns destes 'esqueletos' também acabam vindo de outros membros da banda.
LEONORA MÖLKA
LMM – Você tem este espírito empreendedor,
é um cara bem quisto no cenário, sempre prezando pela ética, numa cena / cidade
nem sempre muito dignas neste sentido. Qual o segredo para Brunno Mariante se
manter íntegro e motivado a fazer tudo o que faz?
BM – O segredo? Muito simples: a
‘peneira’. No que consiste este método? Explico: seleciono bandas para seguir
junto com as minhas próprias. Sou do tipo de cara que coloca os outros debaixo
das ‘asas’, coisa que não vejo fazerem muito ultimamente. Foi legal, seguiram
certas normas, tudo correu bem? Continuamos crescendo junto. Pisaram na bola,
estouraram o tempo, demonstraram descaso ou desdém pelo meu trabalho? Estão
fora. É isso.
Além do quê, com a cena do jeito que é,
você tem de achar saídas para ‘vender’ as bandas que representa. Sou formado em
Marketing, como mencionei, então este lado empreendedor acabou se manifestando
por pura necessidade.
A verdade é que se não desisti no período
compreendido entre 2005 e 2011, [ leiam mais detalhes sobre o fato adiante ],
NUNCA mais vou parar, brother. Eu nunca quis ser o ‘mastermind’ de nada. A
música vem primeiro. Mas descobri a duras penas que se eu não fizesse
acontecer, dificilmente alguém do meu lado faria. Entende? Foi o que notei com
a atitude dos músicos que Leonora tentava recrutar para o Vindicta. Rola muito
machismo no cenário, mentalidade medieval, então resolvi unir forças para
caminharmos juntos. Tem dado certo, tanto que no momento o Vindicta está muito
mais atuante do que qualquer outra banda onde eu estou...
Capa do primeiro EP da banda VINDICTA com seu 'mascote Bob Esponja zumbi' [segundo o próprio Brunno Mariante!]
LMM – Você é ferrenho defensor da cena
autoral do Metal mas ao mesmo tempo atua também com bandas ‘cover’. Qual a
estratégia, Brunno?
BM - . Tenho ajudado a coordenar Festivais
como o Metal Attack & ou Lethal Steel RMC, por exemplo. Hoje, com vários
projetos, tenho sacadas malucas, mas bem sucedidas como o que provavelmente vou
batizar de ‘Cachaça Combo’ ou ‘Cachaça Mix’...
LMM – No que consiste isso?
BM – É ‘casar’ as datas & paga de uma
banda Multicover com uma autoral. O Cachaça Com é um projeto bem legal, onde
poderei cantar canções de bandas que marcaram e fazem parte da minha vida. Mas
como temos membros em comum entre as duas, dá para incluir o Vindicta como
banda bônus, por exemplo. O cara leva o seu multicover desejado, mas também tem
de aceitar nosso trabalho autoral.
LMM – E você vai cantar dois shows seguidos
sempre? Não é muito extenuante para um vocalista?
BM – Sou um cara disciplinado, não tenho
nenhum vício a não ser o Metal, então para mim é tranquilo. Já fiz isso antes,
como você bem sabe [ com o Nitrojam & Trashers ]. Quando comecei a gravar,
apanhei muito até atingir o nível atual. O que observo com músicos é que muitos
são ótimos ao vivo, mas enfrentam problemas ao ter de entrar num estúdio e
gravar, intimidação, é normal... Vivenciei isso com vários dos que passaram
pelo Nitrojam. Quando da gravação do “Twilight Zone”, eu cheguei a gravar
vocais de três faixas num único dia. É só uma questão de coordenação,
experiência e autocontrole.
LMM – Como você analisa a cena METAL
brasileira de outrora com a existente atualmente? Piorou, melhorou?
BM – Cara, acho que vai ficar impressionado
com minha resposta, mas posso afirmar que melhorou. Muito. Vou explicar o porquê. Houve um período tenebroso para quem fazia música autoral em Campinas. Vivemos
um boom do hard rock aqui na cidade de 2005 até pelo menos 2011. Haviam 3
bares, o Hammer Rock & mais dois somente para nos apresentarmos. Quem fazia
cover de guns, bon jovi, ac/dc, tava garantido, tocava toda semana. Quem queria
defender a cena Metal com o próprio trabalho, se fodia. Enfrentei esta
realidade anos a fio sem apoio nenhum, mas não esmoreci. Depois, atingida a
‘estafa’ dos hard rock couves, com a geração anterior deixando de frequentar os
bares, uma reciclagem de público e a abertura do Sebastian Bar [ ativo até
hoje ], foi possível buscar datas alternativas, tocar nosso próprio som com
mais liberdade e tranquilidade. Então, sinceramente? Pela minha experiência,
entre hoje e o período em que o Nitrojam começou? Muito melhor o atual momento.
LMM – O que te inspira a criar? Não só na
música, mas em geral? E bandas? Com quais gostaria de tocar, trabalhar, dividir
um palco, daqui e lá de fora?
BM – Realizei o desejo de tocar com duas
bandas que admirava bastante, o Hellish War & o SoulRiver, do Deco e do
Andreas. Mas ainda tem muitas mais: VoodooPriest, Semblant, Kamala, Iced Earth,
a banda de Warrel Dane, onde aliás toca um grande camarada, Thiago Oliveira,
que tem feito shows no V Project comigo... Outra coisa que queria muito fazer era poder tocar com o que costumo chamar de “A Maldita Trindade”
– SEPULTURA , SOULFLY & CAVALERA Conspiracy! Seria demais!
Me inspiro muito em terror [vide “Symphony
of Horror”, “Twilight Zone”], é um lado que solto com o Vindicta, até pela
própria característica da banda, também gosto de filmes com elementos
fantásticos, como X-Men, a saga “Underworld”... Tenho ouvido mais bandas com
vocal feminino ultimamente, como Ebony Ark, conhece? Da Espanha, banda Prog
extraordinária, com a qual gostaria de tocar um dia... o Revamp também, demais,
melhor coisa que a Floor Jansen realizou até agora. O último Megadeth com o Kiko Loureiro me parece muito bom, assim como
o Angra e seu “Secret Garden”, com Fábio Lione, também acrescentou a entrada de
Barbosa [Marcelo, substituto de Loureiro na banda ].
LMM – Fecharei com outra perguntinha bem
clichê: onde é que Brunno Mariante se vê dez anos no futuro?
BM – Te darei uma resposta bem triste mas
verdadeira: estarei do mesmo jeito que estou atualmente, defendendo e lutando
pelo underground musical, provavelmente ainda em Campinas, porque é a cena que
eu [NÓS] vivo em minha trajetória como artista. A única diferença está no fato de que o Nitrojam ou o Vindicta
estarão onde está o VoodooPriest atualmente, o Voodoo onde o Angra chegou, e
assim por diante... E o mainstream infelizmente é jogo de cartas marcadas, está
fechado para nós, ao menos por enquanto. Vai havendo uma reciclagem na importância
e valoração das bandas. Quando as desta geração que me formou, digamos assim,
como o Metallica ou mesmo o Maiden, começarem a sumir, então o underground alça
posições. Acho que a oportunidade está no underground, sempre. Nevermind o
mainstream, galera.
bruno.gracioli@gmail.com
nitrojam@gmail.com
sábado, 16 de janeiro de 2016
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Entrevista com o Diretor / Dramaturgo / Ator DOUGLAS CHAVES da COMPANHIA CORPO SANTO de Teatro
Talento e vocação
são características inerentes a uma série de artistas, que expressam suas
habilidades de maneira usualmente precoce.
Certamente, esta
é uma definição que cabe em DOUGLAS CHAVES como uma luva. Nascido em Jales,
interior de São Paulo, em 14 de maio de 1988 e apesar da pouca idade [ que o
qualifica certamente como um 'wunderkind' ou 'whizkid' ] tem no currículo quase
duas décadas já completadas de total dedicação ao nobre TEATRO. Douglas é uma
enciclopédia viva desta Arte, hoje à frente da Companhia Corpo Santo, que
completa 10 anos de existência e trabalho exatamente neste ano de 2016.
Foi numa tarde
bucólica & chuvosa que Mr. Chaves abriu sua alma para este que vos escreve
para me contar sobre sua trajetória, história, projetos & planos para o
futuro
[ aliás, este é mesmo o tema de seu próximo espetáculo, ainda
iniciando sua gestação]:
Leonardo Mattar
Monteiro – Em primeiro lugar, parabéns a você e todos os atores envolvidos na
Companhia nestes dez anos. Como é que vê em retrospecto a história da Corpo
Santo e sua carreira como um todo, Douglas?
Douglas Chaves –
Foram dez anos de intensidade e trabalho incessante aos quais dediquei minhas
melhores horas e amor. Tenho muito orgulho disto; mas eu comecei no Teatro na
mais tenra idade...
LMM – Onde e como
começou?
DC – Comecei na
verdade a atuar em Sorocaba, 1999, era apenas um menino, mas já sabia o que
queria e que o Teatro seria minha VIDA. Seguiu-se Jales, para onde fui no ano de 2003, onde
continuei atuando por dois anos [ Douglas esteve numa montagem de “LULU”, do grande Frank
Wedekind, nesta fase ]; aí veio o período que posso considerar como
profissionalizante para minha vida não só como ator mas como amante do teatro
mesmo, em Campinas: meu envolvimento com o Grupo Téspis [companhia conceituada
de espetáculos da cidade citada], Inês Vianna, o Conservatório Carlos Gomes
[também extremamente conceituado] & por aí vai...
Tínhamos um grupo
maldito mas temido e respeitado dentro do próprio conservatório. Enquanto o
pessoalzinho mais careta se dedicava a um teatro, digamos, convencional, éramos
chamados de 'os putos' lá dentro pela total vanguarda e enfrentamento que
representávamos. Então resolvi batizar nossa frente de resistência de 'Os
Puros'. A partir de então , montamos alguns espetáculos sempre sem apoio,
dinheiro, incentivo, só com paixão e atitude envolvidas. Éramos impulsionados
pela lei do desejo: quero fazer, então nada me impede, vou e faço. Adaptávamos
os textos como “Fausto” para nossa pequena trupe, muitas vezes sintetizando os
mesmos à nossa maneira. Assim montamos nosso “Despertar da Primavera” [ também
de Wedekind ], onde o Jeff [ Jefferson Leardini, que hoje é ator da Corpo Santo
], que fazia parte da banda 'boazinha' do conservatório, foi 'cooptado' para
trabalhar conosco – ele fazia a parte técnica que hoje o altamente competente
Diego [ Consolini, sonoplasta, técnico de luz & marido de Wal Buarque,
atriz da companhia ] desempenha. Depois vieram inúmeros trabalhos nos anos que
se seguiriam: “As Criadas”,“Insônia”, “Lugar Comum”, “Lugar Incomum”... Uma das
coisas mais expressivas que fizemos, foi colocar um espetáculo novo em cena
todos os anos, em alguns casos MAIS de um espetáculo [ como em 2010 ou agora
recentemente, com “Desterrados” e “Ofélia Morta” apresentados ambos em 2015 ].
Isso é algo pouco dito mas que deve ser valorizado. Poucas companhias se
empenham em montar novos trabalhos TODOS os anos ininterruptamente em uma
década.
JEFFERSON LEARDINI & LUÍS BINOTTI
WAL BUARQUE
LMM – Você menciona
o teatro convencional, que eu 'convencionei' chamar de 'teatrão' [ & isto
para mim nem sempre ou quase nunca seria um elogio ] em contraponto ao teatro
real ou de resistência, como vejo e sinto, que é o que pratica. Vejo
influências do teatro do 'gutter', sem concessões, Plínio Marcos, Jean Genet,
no seu próprio trabalho. É isso? Não faria o chamado 'teatrão', por razões pessoais,
ideológicas?
DC – É isso sim.
Quanto a Genet & os outros, agradeço e concordo. Sou Genet sem a
criminalidade barra pesada. Realmente, se fôr responder com total sinceridade,
não me interessa esse que você chama de 'teatrão'. Teatrão de verdade,
Shakespeare, clássicos? Ok; mas espera aí, montar um Shakespeare, querido, tem
que ter cacife. Por que Europeus, Brooks, Branagh, fazem aquelas montagens
maravilhosas? Porque eles tem SÉCULOS de tradição & história neste campo.
Montar um “Macbeth” como os britânicos não é uma tarefa para qualquer um. Nós
ainda estamos engatinhando neste quesito. Se for passar dez, vinte anos
montando “Trair & coçar...” então prefiro não fazer. Isto não é teatro pra
mim. Tenho a benesse de não precisar fazer isso. Teatro é minha vida, minha
paixão, não meu ganha pão, feliz ou infelizmente. Então não vou prostituir
minha vida, minhas crenças, nem por fama nem muito menos por dinheiro. Há uma
linha em termos de ousadia & avantgardismo que devemos sempre atravessar.
Em termos de ÉTICA & estética, nunca. Ou melhor me expressando, este não é
o teatro que me interessa, entende?
LMM – Como
formador de público, você acha válido pelo menos, este tipo de espetáculo
convencional, começo / meio & fim, praticado por certa parcela dos artistas
envolvidos na área?
DC – Qualquer
forma de teatro é válida. Só não significa que seja válida para mim. Teatro só
é teatro porque temos o público. Simples assim . Tenho um espetáculo montado em
2010, “Sobre armadilhas e mentiras”, que tem uma estrutura linear... Quando da
montagem do “Coletivo Macaquinhos” [ em tempo: polêmica intervenção em que os
atores nus se tocavam explorando os ânus uns dos outros, que muitos tacharam de
indecente, imoral & toda esta merda que a banda reacionária, hipócrita e
conservadora brasileira alimentada de rede lodo há décadas adora vomitar a todo
momento ] muitos vieram até mim e perguntaram se aquilo era válido, se aquilo
era teatro, no que respondia: “válido e muito válido”. Enquanto esta
mentalidade tacanha imperar – até mesmo no público de teatro, não se enganem,
mesmo o menininho cool da unicamp carrega montes de limitações – precisamos de
MUITOS macaquinhos, tanto quanto de Beckett ou do Bardo Inglês, para abrir as
cabecinhas da plateia.
Mas voltando à questão do
teatro mais comportadinho e mainstream, se é honesto para eles [ aqueles que
montam tais trabalhos ], acho válido. Apenas não faria. Não me diz nada.
LMM - Você não só
tem uma precocidade impressionante,mas se tornou muito bom em TUDO o que envolve teatro. Isto já vem desde o início,
este interesse por todos os aspectos da montagem, luz, cenografia, dramaturgia,
direção?
Eu acho que sim...
Acho essencial que o ator não seja apenas um receptáculo de ideias dos
diretores. Teatro é o domínio do ator, então tem de ter bagagem. Detesto ator
que não sabe conversar. Outro dia ouvi de um rapaz que estava na plateia aqui, em uma das apresentações de "Ofélia Morta" [
Experimento oficina da Cia Corpo Santo que fechou o ano de 2015 ] : “Ah, então,
tem Artaud...” Tem esta turminha pretensiosa, que faz universidade e sai
dizendo o que vem à cabeça, achando que sabe tudo porque estudou cênicas aqui e
ali. Sinto muito, crianças, isto não me impressiona. Ter diploma não te qualifica automaticamente como grande auteur, muito menos ator. A
Elaine [Ávila Cruz, da Cia Corpo Santo ], por exemplo, é uma pusta atriz porque
vai MUITO ao Teatro. Voltamos à questão da bagagem. Tem que estudar sim, mas
estudar tudo. Não é só a grade curricular ou seja lá o que esse pessoal acha
importante, enfim. Busco minhas inspirações em tudo, cinema, teatro, artes
plásticas. Teatro é tentar, tentar, errar, até acertar. Não encaro como
obrigatórias as fórmulas pré estabelecidas, e sempre fui um auto gestor. Daí o
interesse por todos os meandros que envolvem o ofício teatral, entende? Não
estou nem aí para imposições, estilos, regras, tabus e dogmas. Faço o MEU
teatro. Com todo o respeito que devo a Stanislavsky – que é óbvio, fundamental
- Brecht, Zé Celso, não me preocupo com isso quando crio o que é meu.
ELAINE ÁVILA CRUZ
Vou contar uma
história interessante e saborosa sobre este tipo de bitolação: quando da
montagem de um espetáculo extremamente intrincado que a Cia Corpo Santo
encenou, eu estava enfronhado até o pescoço no espetacular manifesto /
ideologia / livro do grande Hans – Thies Lehmann, Postdramatisches Theater [
Teatro Pós – Dramático, aqui no Brasil, criação de Lehmann a partir do ano de
1999 ]. Dissequei suas ideias de cima a baixo durante muito tempo. Só falávamos
disso, estudamos exaustivamente tudo o que o pós dramático representava,
desconstruímos, remontamos tudo à nossa maneira... Como dizia a chamada para
"Navalha na Carne" [ Plínio Marcos ] que o Oficina criou [ em cartaz em São Paulo ], adorei o termo usado por eles para definir a mesma, 'desmontagem'. Eu acho que é isso , tem que desmontar
tudo e refazer à nossa maneira. Mas logo
após o espetáculo [des]montado, todo
mundo à minha volta só falando de 'pós dramático', eu mesmo bradei: “Tá bom,
pessoalzinho, chega, vamos focar na direção totalmente contrária agora”! [
Risos ] Este sou eu, nunca parado no mesmo lugar...
Fazer tudo não era
somente uma necessidade mas uma obrigação pra mim. Sempre paguei um pau pra
Beth Goulart, por exemplo. Aquela é uma artista que está perfeitamente cônscia
de todas suas funções / capacidades. Vem de família toda teatral, monta seus
espetáculos , monólogos, sabe fazer parcerias e faz teatro de verdade.
Quanto à minha
dramaturgia... Tenho 30 textos prontos, e mais 30 no mínimo em andamento. A
primeira vez em que senti que podia fazer tudo foi com “Insônia”, monólogo meu
no qual atuei, e que também escrevi, encenei & dirigi, que criei por volta
do ano de 2009. De lá pra cá não parei mais mesmo.
LMM – Você faz um
teatro não linear e enigmático. Mas já me disseram [ e você mesmo parece ter
confirmado isto numa conversa informal entre nós tempos atrás ] que Douglas
Chaves, o diretor, tem uma agenda pessoal, uma espécie de estratégia, que se
resumida seria: “montar, encenar e depois deixar morrer”.Me esclareça sobre
isso – é assim mesmo que realiza seus trabalhos ?
LUÍS BINOTTI
DC – Hmm... digamos
que temos um método desenvolvido dentro do grupo que foi sendo aperfeiçoado por
nós mesmos. É claro que tem muito de outras experiências mas é nosso. Nos
fechamos no processo, mimamos os atores mas arrancamos deles ao máximo também.
Quanto ao encena e deixa morrer após curtas temporadas, tem sim que morrer
mesmo. Por quê? Porque não me vejo encenando a mesma coisa, mesmos atores ou
outras trupes durante anos. Houve uma época em que lutava para manter
espetáculos em evidência; quando da encenação de “Lugar Comum”, por exemplo,
foi um processo de montagem longo e aí, de repente após somente TRÊS
apresentações, tivemos de interromper tudo por problemas envolvendo algumas
pessoas do elenco. Foi frustrante. Então em espetáculos posteriores batalhava
para que as temporadas fôssem maiores, mais longas, sem apoio nem recursos, e
nem sempre obtendo resultados. “Lugar Incomum” rendeu 23 gloriosas apresentações após 8
meses de preparação, mas foi uma exceção. Este controle sobre a própria
obra não depende só de mim mas de uma série de outros aspectos – momento,
locais para apresentação, condições favoráveis [ ou não ].
LMM – Depois de
tantos anos de experiência e realizações, há ainda alguma coisa que inspire
Douglas Chaves, não somente no Teatro mas nas Artes em geral?
DC – CLARO que há!
Devemos ser sempre conscientes e gratos ao Teatro Oficina por servir de exemplo
para todos nós do Teatro, por estar na vanguarda há tantas décadas. Cinema,
tivemos “LOVE” de Gaspar Noé [ cineasta Franco Argentino que compartilha
ideologias & estética com Doug ] este ano, “Carol” de Todd Haynes, que
achei muito significativo; em Teatro, recentemente eu & o Luís [ Binotti,
ator da Companhia & parceiro de Douglas há muito tempo, com quem encenou
entre tantos outros “As Criadas” de Genet, pelo qual foi indicado a um prêmio
no setor ] vimos “Krum”, numa montagem de Márcio Abreu primorosa, um exemplo de
como fazer grande Teatro, grande timing, performances impecáveis, uso de luz
branca extraordinário... Sempre me inspiro e recrio / reinvento.
LUÍS & DOUGLAS
LMM – És um provocador,
termo que aliás tomou para si e usa para definir não só a sua função dentro de
projetos [ como o recente & extraordinário “Fando & Lis” ] como a de
seus comparsas de cia [ Doug, Elaine, Luís, Jeff & Wal foram os
'provocadores' para quatro atores – Adolfo, Bruno, Hector & Lucas - na
oficina criada que resultou em “Ofélia Morta” ]. Então para finalizar só poderia mesmo te pedir um 'teaser', um
pouquinho do que está por vir com a companhia. Podemos saber do(s) novo(s)
projeto(s) da Corpo Santo em 2016?
DC – Com o maior
prazer. Iniciamos as comemorações de dez anos de companhia já agora nos dias 23
& 24 de Janeiro, com novas apresentações de “Ofélia Morta”; podemos ter
também um curto retorno de outros espetáculos da cia como “Desterrados”... Mas
o foco mesmo está em um novo trabalho, que deve ser nosso primeiro texto
colaborativo e cujo processo em grupo se inicia a qualquer momento logo neste
começo de ano. Cheguei a escrever três cenas para o mesmo, mas por um golpe do
destino e a não feitura de um backup do meu novo celular se foram [ risos ].
Agora começaremos do zero, e talvez seja melhor assim. Estarei na direção, com
Adolfo [ Barreto, ator de “Fando & Lis” e “Ofélia Morta” ] sendo o
provocador desta vez. E mais, retorno a este espetáculo em cena também, o que
me deu tesão renovado, estou muito empolgado em voltar a atuar, o que não fazia
desde “Pequenos Desastres”,não é... Teremos um elenco maior que o das últimas
montagens que fizemos, com uma querida atriz, Ana Amorim, voltando após tantos
anos longe dos palcos conosco, estou muito feliz com isso, mais o elenco atual
da Corpo Santo. A história gira em torno da projeção de um futuro de dez anos.
Amigos se reencontram e descobrem o que cada um fez [ ou não fez ] neste
período de uma década. O título muito provavelmente será “DÈS QUE” ou “BIENTÔT”
[ algo como 'tão breve', ou 'tão logo', em Francês ]. Quem viver, verá.
ANA AMORIM
ADOLFO BARRETO
domingo, 10 de janeiro de 2016
Entrevista com DEZERRÊ REZENDE & ANDRÉ BAIDA da Banda FENRIR'S SCAR
É surpreendente
como descobrimos fatos admiráveis envolvendo as vidas de cada um de nós que
fazemos parte deste coletivo que é a raça humana.
No caso de ANDRÉ BAIDA,
compositor & vocalista da banda de Gothic Metal FENRIR'S SCAR e sua doce e
talentosa parceira DEZERRÊ REZENDE, também vocalista & letrista do grupo,
isto não poderia ser mais verdadeiro.
A história de ambos
carrega poesia suficiente para render por si só uma ode ou poema ou letra de
canção [o que parece mais apropriado no caso desta dupla]...
DEZE começou na
carreira na mais tenra idade, tendo já com 16 anos iniciado seus estudos com o
mestre, professor & preparador vocal FABIANO NEGRI, fronteou muito jovem
ainda uma banda Evanescence cover campeã de concursos e finalmente se
estabeleceu como a letrista e voz feminina da Fenrir's Scar.
André apesar de
relativamente jovem, tem um longo histórico de batalhas pessoais &
profissionais em sua vida. A perda do pai, o fim prematuro de uma banda
promissora [pouca gente sabe, mas Baida
era não só baixista como principal compositor & mastermind da COUNTERPARTS,
banda de Power Metal do cenário de Campinas. Muito como CHRIS SQUIRE para o
YES, GEDDY LEE para o Rush, PETER STEELE para o TYPE O Negative ou Joey De Maio
para o Manowar, ele capitaneou a banda assim como compôs praticamente o álbum
inteiro da mesma], diversas cirurgias para recuperar sua mobilidade [chegou a
ser desacreditado, ouviu que nunca mais poderia tocar baixo e talvez sequer
andar direito novamente], entre outros dramas particulares. Baida permanece de
pé e com o apoio sempre determinante de Deze, profissional e pessoalmente,
retornou não só como um sobrevivente mas como um vencedor as well, recuperando
material antigo [que teria feito parte do segundo álbum de sua banda anterior]
e renascendo como uma Fênix das cinzas, para iniciar um novo ciclo com seu mais
recente grupo Fenrir's Scar assim como também no prestigiado posto de baixista
oficial da banda de Fabiano Negri.
Fui surpreendido
positivamente pelo fato de Baida e eu termos muitos elementos biográficos em
comum, mas muito além, possuir opiniões sobre música & o cenário do Rock /
Metal muito semelhantes às minhas também.
Deze e Baida
conversaram longamente comigo gerando uma entrevista saborosa e profunda,
falando de assuntos tão diversos quanto primordiais.
A seguir, a
transcrição desta conversa:
Leonardo Mattar
Monteiro – Por que Fenrir's Scar [a cicatriz de Fenrir]? Qual a razão da
escolha deste nome?
ANDRÉ BAIDA – Tanto
eu quanto a Deze temos uma ligação com Mitologia Nórdica, gostamos de coisas
similares... Mas não vou mentir, a origem do nome remonta aos tempos em que era
principal 'cabeça' da Counterparts. Naquela época escrevia muito para a banda e
criei uma canção, “Fenrir's Last Howl”, que considero até hoje a melhor coisa
que compus, para a qual meu ex-'Counterpart' bro Emerson Penerari criou a letra. Deixei a banda mas o nome Fenrir’s Scar ecoava em mim.
Finalmente, quando a
Deze estava reunindo músicos como seu irmão Gabriel, para uma nova banda, a
qual integrei inicialmente como baixista e enfim me estabeleci como vocalista,
procurávamos um nome e Fenrir's Scar parecia ser não só apropriado mas ter
encontrado sua 'morada' definitiva.
Da esquerda para direita : onde está Wall .. ops ! Fabiano Negri =D , Gabe Rezende & Vinicius Pradão
LMM – Vocês tiveram um início fantástico,
começando pelo fato de que o tutor de vocês é Fabiano Negri, grande músico e
produtor. Falem um pouco sobre esta relação e como é trabalhar com um talento
como ele.
DEZE REZENDE – Então
, na verdade eu servi como 'ponte' de apresentação do Fabiano para o Deco. Pelo
fato de cursar vocalização com Negri, desde os tempos de Cromat [escola de
música da cidade de Campinas] continuando meus estudos na Cultura Pop [também
escola de música da mesma cidade, fundada por Negri em 2005], eu estava sempre
em contato com ele, mas nossa relação era de professor e aluna. A partir do
momento em que ele começou a promover as festas de finalização de ano da
escola, abrindo espaço para os alunos mostrarem seus talentos é que ele e o
André estreitaram relações.
AB – É curioso
porque nos conhecíamos do cenário musical da cidade, mas era tipo: 'oi',
'tchau'. Eu e Fabiano somos praticamente da mesma geração de Campinas,
inclusive em termos artísticos. Ele tocava com o grupo Rei Lagarto e eu estava
envolvido com o Counterparts na época. Foi só quando a Deze entra nesta equação
é que pude me tornar como sou hoje amigo e colaborador de Fabiano,
principalmente após o convite para integrar sua banda atual como baixista.
LMM – Você Deze,
cuida das letras da banda, enquanto André compõe praticamente tudo sozinho.
Como é este processo pra vocês? De onde tiram ou buscam inspiração?
DR – Experiências
pessoais, muita coisa que leio mitologia, mas de muito mais: amo seriados
modernos, por exemplo, como American Horror Story, então automaticamente esta
influência vai aparecer nas minhas letras vez por outra [um exemplo claro disto
estará na faixa “CALIBAN”, 1 dos próximos singles a serem lançados pelo grupo
Fenrir’s Scar; Deze escreveu a letra inspirada / baseada no diálogo do
personagem do título da canção com Frankenstein, na série “Penny Dreadful”]...
AB – Eu componho sem
um método claro de criação. As ideias vêm, eu me sento ao teclado, [a exemplo
de como outro baixista & frontman, o saudoso Peter Steele, também fazia],
trabalho as melodias, depois vou adicionando camadas e pensando no resto da
música. Se me sentar e disser a mim mesmo: “vou compor algo”, nada acontece.
Tem de ser assim, um processo espontâneo que vem a mim sem planejamento prévio.
LMM - Como já disse
Mestre Amyr Cantúsio Jr, vivemos num mundo onde rótulos muitas vezes parecem
mais importantes que a arte / música em si. Vocês mesmos já se definiram como
Gothic Metal. Mas como veem esta coisa? Rótulos são necessários? Ajudam ou
atrapalham? Tem medo de um dia serem pigeonholed [caírem na armadilha de serem rotulados & virarem reféns disto]?
DR – Bom, eu não
gosto de rótulos, claro que se puder fujo deles todos, mas tenho que admitir
que eles ajudam você a se situar no mercado & agregar fãs. É uma forma de
colocarem você num nicho reconhecível talvez.
AB – Também não gosto
de rótulos, mas também nem me incomodo com isso. Faço música para os outros
sim, mas não por causa dos outros. Se um dia acontecer de cairmos numa fórmula, significa que ao
menos está dando certo. MAS faremos tudo para evitar isso. Não queremos virar
uma destas bandas que fazem a mesma coisa álbum após álbum. Nossas canções são
nossos filhos. E para mim é tudo ROCK. Simples assim.
LMM - O que é Gothic
Metal então para vocês?
AB – É complicado,
porque isto acaba virando uma guerra. O público é muito preconceituoso e
fechado. Cada um tem conceito do que é / seria ‘gótico’ ou ‘metal’ ou a
combinação dos dois. Pode-se classificar tantas bandas nesta categoria...
DR – Muitos não
gostam de Sisters of Mercy, por exemplo; ou acham o H.I.M. uma banda fajuta. Só
pra exemplificar quão longe isto vai.
LMM - Então se
tivessem de citar bandas numa lista quais seriam representantes do ‘rótulo’
Gothic Metal?
DR – Paradise Lost,
Type o Negative, Sentenced, talvez o Lacuna Coil…
AB – Concordo com a
Deze. Tem o Moonspell de Fernando Ribeiro, uma banda que admiramos muito, mas o
Moonspell é tão vasto, vão de Black a Gothic. Acho às vezes o público muito
limitado. Precisam abrir a mente.
FERNANDO RIBEIRO [ MOONSPELL ]
FERNANDO RIBEIRO [ MOONSPELL ]
LMM - Vou então bancar
o advogado do diabo – e a definição do que é o rótulo Symphonic Metal, ou mesmo
esta tendência ‘Beauty & the Beast’ [dois vocalistas, uma voz feminina
& uma masculina] que parece dominar o gênero, já tendo até mesmo rendido
críticas por parte do Mestre Fernando Ribeiro. Como é que vocês veem e se veem
nisso tudo?
DR – Claro que temos
semelhanças com esta linha, mas gosto de pensar que saímos um pouco disto com a
Fenrir’s Scar. Um exemplo de uma dupla que foge da obviedade está no Lacuna
Coil, banda italiana de que gostamos muito. Cristina Scabbia & Andrea Ferro
fazem uma linha que não se limita ao que definem como ‘Beauty & the Beast’,
aquela coisa do lírico versus gutural.
Cristina Scabbia , Andrea Ferro [Lacuna Coil]
AB – Pessoalmente não
gosto desta coisa do lírico. E não acho que somos suficientemente ‘sinfônicos’
para caber nesta definição não. Concordo com a Deze, gosto demais do Lacuna mas
a partir do “Karma Code” em diante, antes achava forçado, o Andrea se matando
para alcançar os tons. O grupo é um representante digno desta linhagem.
LMM - Mais algumas
bandas que queiram citar como respeitáveis nesta tendência?
DR – Acho que o
Nightwish, gostamos de todas as fases com todas as vocalistas, The Gathering,
Within Temptation... tem muita coisa boa mas muita coisa ruim também. Gosto de
Epica, por exemplo, mas admito que aquela coisa da vozinha feminina doce &
suave contra o masculino agressivo é muito clichê...
AB – Além do Lacuna, claro, Tristania, Visions
of Atlantis...
LMM - Pra vocês onde
nasce esta coisa do beauty & the beast, conjugação de vocais femininos
& masculinos num conceito Metal?
AB - Talvez você se
espante com minha resposta, mas pra mim tudo começa lá atrás com o Meat Loaf.
Sabe “Anything but love”? Então, o conceito ‘beauty & the beast’ pra mim
nasce ali. O que vem depois só define mais, refina mais, adiciona peso &
atitude à fórmula, entende?... Aí, se fôrmos falar apenas de Brasil, o público
começa a ‘acordar’ para isso uma década & meia atrás mais ou menos. Quando
estoura a faixa “My Immortal” do Evanescence na trilha do filme do “Daredevil”
[Demolidor], a molecada de doze anos ouviu aquela coisa de voz feminina em
contraste com uma masculina, e quis ouvir mais, conhecer mais. Aí vem o “Ocean
Born” do Nightwish...
DR – Mas o “Ocean
Born” é anterior a isso tudo, Deco.
AB - Exato, mas aqui
no Brasil é o período em que o Nightwish começa a ‘bombar’, ficam conhecidos. O
resto é história.
LMM – Já mencionamos certa
limitação do público nesta cidade, mas talvez o problema esteja no nosso País
como um todo. Como encaram este esvaziamento de interesse por parte do público?
Vocês que vivem a cena há certo tempo como comparam o atual momento com o de
antes?
DR – O problema está no
público sim, mas nos organizadores dos locais & espaços de apresentação em
geral também. Veja bem, quando era frontwoman de um Evanescence cover, vencemos
um festival como a banda que mais público atraiu. No entanto, isso não se
refletiu em muito mais apresentações para a gente. Os espaços são fechados,
muita ‘panelinha’. Este ano, por exemplo, teremos o Epic Metal Fest no Brasil,
mas para uma banda iniciante como a nossa entrar num esquema destes é muito
difícil...
AB – Eu diria que era
ruim e está pior. Acho que é um problema de educação. Não de ‘bom dia’, ‘boa
tarde’, ‘boa noite’. Mas de bagagem cultural, de prestigiar a Arte. Falta a
cultura de entender que a arte só se mantém viva assim. Infelizmente havia
espaço garantido para o autoral quando o Hammer Rock [Bar afamado de Campinas
voltado ao cenário Metal / Rock] existia. Depois, os espaços foram se fechando
cada vez mais. Sem querer soar pretensioso, mas quando eu & o Vitão realizávamos
o FMC [Festival de Bandas de Metal de Campinas], era o único Festival
verdadeiramente democrático, onde o público & não a organização decidia
quais as bandas que entravam ou não.
Tirando os poucos
abnegados que continuam defendendo e prestigiando as bandas, como você,
Leonardo, o público simplesmente não rotaciona,
se mantém sempre com as mesmas pessoas da cena. Hoje o acomodado prefere
ver um ac/dc couve a ajudar as bandas autorais, muitas vezes com músicos que
atuam nas duas frentes e tocam nas de covers também. Fdp prefere gastar os
tubos enchendo a cara de cerveja a pagar dez reais pra entrar e ver um Fenrir’s
Scar. Muitas vezes nem seus amigos se dão ao trabalho de um ‘click’ pra
‘curtir’ ou RT algo que você cria / posta. É desolador.
Certa vez vi uma
ilustração que mostrava duas filas – numa subiam pessoas amparadas umas nas
outras, se dando as mãos para todas chegarem ao topo; na outra, uns metendo os
pés nos outros, tentando empurrar todo mundo pra baixo, principalmente os que
já haviam chegado lá em cima. A 1ª coluna, da esquerda, eram os artistas da
música sertaneja. A dos traíras da direita, a do cenário ROCK. É triste, mas é
mais ou menos isso mesmo que acontece, não só em Campinas, mas principalmente
aqui. Tem muita vaidade e falta de generosidade envolvida.
LMM – Agora falemos
sobre a Fenrir’s. Começaram com um futuro promissor, já produzidos em um
primeiro single [“Downfall”] por um fera como Fabiano Negri, com várias outras
canções como “Dark Eyes” e “Caliban” on their way... Como tem sido a
repercussão do trabalho de vocês junto ao público? Quais são as novas da banda
para o ano de 2016?
DR – Tem muitas boas
notícias pra gente, muita coisa legal acontecendo principalmente a partir do
segundo semestre deste ano, apesar de algumas pessoas nem sequer ouvirem
realmente o que você está fazendo, na nossa própria cidade e país, mas isto é
típico daqui.
AB – Verdade; a
repercussão junto a novos fãs é o mais surpreendente, sabe. Neguinho no Brasil
às vezes não dá a mínima. Em compensação, você recebe feedback positivo vindo
das redes sociais como o Youtube e de lugares tão inesperados quanto
surpreendentes, como Estônia, Suécia, Alemanha e até mesmo dos EUA. Temos sido
convidados para participar de alguns projetos muito bons. Em Março, por
exemplo, no dia 6, a convite de Brunno Mariante [Nitrojam, Trashers,etc]
tocaremos no Sebastian Bar de Campinas com outras bandas do cenário, como o
Vindicta e Holder of Souls. Devemos nos apresentar no American Garage também no
próximo mês. Ah, nossa canção “Downfall” estará no Volume VII da coletânea da
ROADIE METAL, junto a bandas extraordinárias da cena como o foderoso
VoodooPriest, um privilégio. Quanto ao trabalho gravado, nossa intenção é a
cada dois meses em média lançar um single novo sempre disponível online, com o
uso das ferramentas digitais, que serão reunidos depois como uma compilação de
áudio para angariar público, uma maneira de tornar nosso trabalho conhecido.
LMM – E aí, como um
cara como você, veterano da cena, que já teve desilusões, teve de cancelar Tour
na Europa pelas escolhas e bundamolice de integrantes do Counterparts, acha
motivação para voltar com força total e continuar criando?
AB – Saí do
Counterparts por razões pessoais, depois de 14 anos de dedicação, me desiludi
com certos aspectos e atitudes de outrem. Mas as músicas, o conceito e o nome
Fenrir's Scar continuaram comigo.
Sem querer causar
espanto, mas na verdade minha força vem de certo egoísmo. Explico: apoio-me na
Deze. O fato dela ter criado a banda e ter me chamado para voltar e tocar com o
Fenrir’s foram fundamentais para mim, poder colocar tantas criações de novo no
spotlight, apresentar nosso trabalho para o mundo. Sem criar, eu morreria. Como
mencionei antes, nossas canções são nossos ‘filhos’. Então o que me motiva
sempre adiante é a necessidade ‘egoísta’ de externar meus sentimentos e minha
ARTE.
LMM – Para finalizar,
alguma banda ou bandas com as quais gostariam de tocar numa mesma gig aqui ou
fora do Brasil?
Dezerrê Resende –
Lacuna Coil, Semblant, Vandroya.
André Baida – Lacuna,
Moonspell, Soulriver, Kamala, Lacrimas Profundere.
FENRIR’S SCAR –
Integrantes da banda [da esquerda para a direita] :
- GABRIEL REZENDE – Baixo
- VINICIUS PRADO –
Guitarra
- GRAZI MARIA – Teclados
- DEZERRÊ REZENDE – Vocais , Letras
- ANDRÉ BAIDA – Composição , Vocais
- PAULO VITOR
- ILDÉCIO SANTOS – Bateria
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