segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Entrevista com o Artista MARCELO DINIZ - 2015



         Tenho o prazer e o privilégio de trabalhar com um dos artistas mais talentosos e prolíficos do país, MARCELO DINIZ [rima pura até em meu próprio texto =].             
Tecladista, poeta, Mestre Escriba, Diniz despontou na(s) carreira(s) muito jovem e tem brilhado desde então obtendo reconhecimento mais do que merecido em tudo o que faz, primeiro na música e posteriormente com a literatura.
         Foi numa noite tranquila que Marcelo concedeu-me esta entrevista na presença de sua parceira querida Patrícia Borges, um café com poesia e duas doses de generosidade como é de praxe em se tratando deste Mestre Merlin da cidade de Campinas...


         Abaixo a transcrição de nosso bate papo informal – garanto que houve MUITO mais dito por ele mas por uma questão de síntese concisão faz-se necessária:
       Leonardo Mattar Monteiro – O que é poesia?
       Marcelo Diniz – Poesia é a VIDA. Poesia é perguntar o que é felicidade de sopetão, ligando uma câmera no rosto de alguém...
       LMM – E o que é felicidade?
       MD - Felicidade é ter a mão para estender; é a mão estendida; é o ato de doar [fazendo um gesto que é bastante característico de Diniz, muito conhecido daqueles que convivem com o artista, como ofertando algo em suas mãos]...
       LMM - Sua carreira musical é um tanto conhecida, mas como é que a literatura entrou em sua vida [a poesia inclusa, claro]?
       MD – Na verdade, acho que sempre esteve nela desde tenra idade. Tudo o que lia e absorvia desde os sete, oito anos de idade ia aos poucos formando o futuro escritor – depois, na escola, havia a obrigatoriedade da leitura & análise de várias obras literárias a cada bimestre: Machado de Assis, Lima Barreto, mas sabe como é, tudo que é obrigatório fica chato...
       LMM – E aí você odiava aquilo...
       MD – Exatamente. Mas de repente surge um Saint Exupery aqui, um Lewis Carroll ali, e quando você se dá conta o prazer da leitura já se desenvolveu em você.
       LMM – E o de escrever?
       MD – Começa muito cedo também, onze, doze... ao menos pra mim. Sabe como é, você escreve aquelas cartinhas apaixonadas para várias menininhas da escola, pra quem você nunca as irá entregar, e assim vai depurando seu estilo pouco a pouco. Além do quê, a música também desempenha um papel nisso tudo. Você começa a prestar atenção nas letras, que também são influenciadas pela literatura. Então você ouve/lê Jim Morrison, influenciado por Arthur Rimbaud e William Blake, você trava contato com Humberto Gessinger que por sua vez lê/cita Moacyr Scliar e Jean Paul Sartre, Roger Waters & por aí vai...
      LMM – E os poemas surgem assim também?
      MD – Sim, porque poesia pode ser curta, rápida, sintética, exatamente como uma canção. Em quatro linhas pode-se descrever um sentimento. Como...

                               Tiro no pé
                   Pensas que é a sogra
                   A grande cobra
                   Dessa novela ?
                   Não se engane meu amigo
                   Ainda terás que passar
                   Pela irmã mais velha
         É esta a questão: prosa, letra, verso, são todas expressões que vem de um mesmo elemento denominado ARTE.
       LMM – Como músico, você começa em 1996 e se torna bastante conhecido no cenário de Campinas a partir de 2007. Quando é que você considera seu início 'oficial' como escritor?
       MD – Acho que a partir de 2010, mais especificamente 01 de janeiro do ano de 2010.
       LMM – Por quê?
       MD – É quando inicio meu blog.

http://marcelodiniz.net/                      http://sonhoanalogico.blogspot.com.br/

       A data foi escolhida a dedo. Tudo tem seu simbolismo...
       LMM – Podemos considerar então sua carreira literária meteórica em comparação com a musical...
       MD – Sim; foram quatro livros já publicados, com três ou quatro a caminho para 2016, todos realizados do jeito que eu queria, financiados por mim, sem a interferência de editoras; posso dizer que foi tão recompensador quanto surpreendente. Tive o envolvimento de editoras, claro: Iluminata, Essencial, com a mediação do Carlos Torres, que foi não somente editor mas um agente literário atuante, que coloca sua obra em Feiras de Livros, stands, algo importante para qualquer escritor, pois da mesma forma que o autor ajuda a colocar uma editora em evidência, a mesma divulga e distribue seu trabalho. Como foi o caso da Delicatta, que me convidou para seu stand na Bienal do Livro.
       LMM – Já que mencionou, como foi participar da Bienal de 2014? Qual é a sensação, ainda mais para um autor tão jovem como você?
       MD – Foi impressionante em todos os sentidos possíveis. De repente, você se vê sendo prestigiado por um público totalmente novo, jovem, e que está ali interessado em sua obra. É incrível.
       LMM – Falamos muito de sua carreira literária mas vocẽ tem uma obra musical que se insere tranquilamente entre as dez mais importantes da Música Eletrônica já lançadas neste país, com resenhas elogiosas de especialistas da área. Fale-nos um pouco da história & trajetória do álbum “Analog Dream”.
       MD – É muito curioso; na verdade, posso definir este trabalho como 'a contradição contra a tradição'. Tudo começou sem a menor pretensão. Era apenas um experimento, eu testando timbres como músico. Este processo me levou a reconhecer padrões das obras de outros músicos que já admirava como Synergy, Jean-Michel Jarre, Tangerine Dream, Vangelis, etc. As faixas começaram a tomar forma, se transformando numa espécie de 'trilha sonora para um filme inexistente'... “Analog Dream” nasce, se desenvolve e é gestado assim, indo parar nas prateleiras do mundo, como gosto de dizer. Foi quando tomou vida própria. As resenhas de camaradas de profissão começaram a pipocar, me deixando lisonjeado sinceramente; a Livraria Cultura adquiriu um lote, enviou para os sete Estados do Brasil onde tem franquias, uma cópia acabou na mão do Caco Barcelos, que por sua vez inseriu-o na(s) trilha(s) do Programa “Profissão Repórter”, usando trechos & trilhas do “Analog...” até hoje. Uma trajetória admirável.

https://itunes.apple.com/us/album/analog-dream/id519345941

      LMM – E a Internet? Estamos numa época em que mais e mais artistas tem migrado para o formato digital obtendo êxito. E quanto a você, o que pensa disto tudo?
      MD – Posso afirmar sem sombra de dúvida que o virtual é a próxima onda. Porque se vocẽ pensar bem, música sempre foi uma forma de Arte que você não possui materialmente. Existe o CD no formato físico, claro, mas na realidade a música é intangível, você não a segura, não a possue, só pode ouvir e sentir. Há o fetiche pelo cd ou livro físico, sempre que possível vou querer minha arte nestes formatos. Porém, o digital tem uma perenidade única. Você nunca terá de se preocupar com tiragem, falta do produto, enfim, o download de suas obras seja em que expressão artística fôr, estará ali para ser adquirido forever.
      LMM – Falemos de influências, inspirações, obras, escribas e poetas que leia & admire. Sua obra poética parece ter muitos paralelos bem delineados com a de Mário Quintana, estou certo?
      MD – Fico feliz que pense assim porque é verdade; Quintana é meu poeta favorito. Mas posso citar muitos outros: Fernando Pessoa, por exemplo, um colosso que descobri na adolescência. Certa vez foi elaborada uma lista de 10 Poetas mais importantes da Língua Portuguesa e ele era os SETE primeiros colocados dentre os escolhidos [ao leitor não familiarizado com Pessoa e sua obra, ler a resenha sobre o mesmo & seus heterônimos elaborada por mim e postada aqui no blog]! Mas não nos esqueçamos dos grandes talentos vivos, principalmente da minha região e país. Humberto Gessinger, Lenine Rocha, que estará entre vários outros poetas no cast da antologia “Qualquer Amor” a ser lançada em breve, Fla Perez... Na Literatura mais especificamente, citaria Dostoievsky, com seu detalhismo descritivo impressionante, Guimarães Rosa, José Osório, cuja obra “Crônicas da Morte” tive o privilégio de obter em primeira mão das próprias do autor em Itú [que em breve entrevistarei para este blog]


"O Mundo de Sofia”, de Jostein Gaarder... Mas sou um poeta do cotidiano e biografias são o retrato deste cotidiano – as pessoas são diferentes mas as situações se repetem, são as mesmas. Portanto, sou ávido leitor destas, dentre as quais destaco a de Lennon [John] e uma intitulada “A Alma de Leonardo Da Vinci” na qual o autor Fritjof Capra narra as invenções deste gênio colocando-as em contexto e analisando o que teria levado tal Mestre a idealizar tamanhos engenhos...
      LMM – Agora quero saber sobre os seus trabalhos/projetos futuros. Pode adiantar quais são?
      MD – Sim, certamente. Comecemos com “ALQUIMIA”, novo álbum autoral que de certa forma é o ápice de vários experimentos entre minha música e minha poesia. É um trabalho que provavelmente encontrará morada fundamentalmente no mundo virtual, com participações especiais de Sheila LeDu, Rick Furlani, Fabiano Negri, Patrícia Borges [& até deste que vos escreve neste blog =]. Há a “Qualquer Amor”, já citada anteriormente, uma compilação/antologia à Guimarães Rosa com trabalhos meus e de mais cinco outros poetas. Já deveria ter sido lançada em Outubro deste ano. Porém devido a cirurgia e cuidados de minha mãe Lúcia recentemente teve de ter a publicação adiada para 2016. Também elaboro há tempos um livro de crônicas intitulado “Café, poesia e duas doses de ironia”, com minhas elocubrações sobre o mundo à nossa volta, um novo livro de poesias e finalmente um Romance. Não vou adiantar muito sobre este último mas posso dizer que é dedicado à minha amada companheira Patrícia Borges...
      LMM – Com tantas referências & influências pairando sobre a alma do artista Marcelo Diniz, podemos esperar uma Ópera Rock em seu currículo um dia?
      MD – É claro que sim! Totalmente possível. Nunca diga nunca.
[ clássico e típico sorriso de Mona Lisa no rosto de querubim. Este é o grande Marcelo Diniz =] 


                                           mhdiniz@gmail.com

Bibliografia – obras poéticas - MARCELO DINIZ :

  • ENTRE SONHOS E MUROS , 2011
  • ENTRELINHAS , 2012
  • SONHO COTIDIANO , 2013
  • PARTHENON , 2014

Nenhum comentário:

Postar um comentário