Nascido em 09 de Maio de 1937
(portanto um Taurino aguerrido, como também é minha namorada) em
Portugal, o nobre autor Francisco Fernandes de Araújo tem sido um
exemplo para o cenário literário Brasileiro, há exatamente uma
década, não só por suas obras mas pela iniciativa pela qual também
ficou famoso,com ampla divulgação da imprensa, de “1 Livro por 1
Sorriso”, em que a intenção sempre foi exatamente essa que
enuncia o título da campanha: distribue livros do autor em troca de
um simples sorriso dos interessados que passam pelo Largo do Rosário
na cidade de Campinas que [apesar de natural de SÃO PAULO como eu]
adotou como morada definitiva há quase cinquenta anos.
Tive o privilégio de passar
uma hora saborosa com Mestre Araújo falando sobre assuntos diversos
& essenciais à vida de um escritor. Abaixo a transcrição de
nossa conversa:
LMM – Mestre Francisco,
fale–me um pouco da sua trajetória como ser humano & o que o
motivou a se tornar escritor.
Francisco Fernandes de Araújo
– Na verdade é curioso, porque não posso mentir e dizer que tive
formação acadêmica para tanto. Eu sempre fui um leitor ávido, foi
através do prazer e do hábito da leitura que desenvolvi não só
meu gosto mas meu estilo literário. Vim para Campinas em 1969 e
desde então galguei meu caminho pouco a pouco no campo do Direito,
me tornei Juiz & fiz uma carreira considerável e de respeito
nesta área. Eu fiquei conhecido entre advogados & companheiros
de trabalho em geral como o 'Juiz Poeta', porque ao mesmo tempo que
evitava o pedantismo do uso de expressões em latim [que domino muito
bem mas o homem comum muitas vezes não entenderia], optando pelo bom
senso e pela praticidade da língua, também proferia sentenças em
prosa e verso, o que me valeu esta alcunha & o estilo muito
particular... Meu caminho foi abençoado mas nunca desprovido de
trabalho & muito afinco. Não quero me gabar, mas tive uma
trajetória bastante louvável, na qual já apontavam minha vocação
para a profissão (ões) à(s) qual (ais) me dediquei depois, a ponto
de ter recebido elogios de mestres da área como o querido &
falecido Paulo Weber de Morais [a quem dediquei post mortem uma de
minhas obras] & Mestre Barretinho quando ainda no período de
formação do homem que desembocaria depois no Juiz, autor jurídico
e posteriormente literário em que me tornei...
Sempre tive respeito com o
dinheiro do contribuinte; como Juiz, tinha consciência de não
desperdiçar o dinheiro público. Portanto, mesmo com a vocação
literária nata & diversas obras jurídicas escritas por vários
anos [Nota: Francisco tem dezenas de tomos de cunho técnico
publicados, que foram verdadeiros best sellers, com enorme aceitação
e inúmeras edições esgotadas], só fui me voltar à Literatura
como um todo a partir de 1995.
LMM – E qual a razão
específica disto?
FFdeA- Porque somente fiquei e me
senti totalmente livre para escrever muita coisa sobre vários temas
que queria quando me aposentei oficialmente como Juiz. Me trouxe a
liberdade para me dedicar integralmente à Literatura; desde então,
escrevi livros de crônicas, romances [como “O Juiz do Turbante
Dourado”, que recomendo dentre tantas obras deste autor ao leitor
de primeira viagem], pensamentos [“Pedaços de Vida nas Asas do
Vento”, de 2008],poesias... Já se vão dez anos de dedicação
ininterrupta ao escrever...
LMM – E como surge a iniciativa
de criar uma campanha extraordinária como a que idealizou e leva
adiante há tanto tempo todos os anos no Largo do Rosário?
FFdeA – O gosto pela leitura
fez-me quem sou hoje, criou o autor que vivia adormecido dentro de
mim. Nada mais justo que tentar de alguma forma plantar esta semente
em outrem, para que quem sabe germine como germinou em mim mesmo. Não
conheço melhor maneira de se fazer isto do que através de minhas
obras tentar incutir nas pessoas o gosto pela leitura. Distribuindo
as mesmas gratuitamente todos estes anos garante ao menos a chance
disto a quem não tem condições de pagar para adquirir livros neste
país, tão desigual.
LMM – O Sr. demonstra em suas
palavras uma preocupação muito grande com o povo brasileiro e
carrega consigo a ética como essencial...
FFdeA – Sempre. Note bem, não
falo isto como uma forma de autopromoção ou de me glorificar; mas
minha consciência sempre falou mais alto. Mesmo intencionando
defender Mestrado & Doutorado em minha área [como o fez, com
distinção & louvor, fato já mencionado anteriormente nesta
entrevista], somente me dediquei a estas atividades após me
aposentar. Até 1995, não achava justo deixar de trabalhar e dedicar
tempo somente à minha(s) pós graduação(ões) com o contribuinte
pagando por isso. Hoje, pago pelas edições de todos os meus livros
do meu próprio bolso. Não cobro pelos mesmos e pretendo continuar
assim o fazendo. Já recebi propostas de parceria de editoras mas que
no final das contas só queriam tirar proveito de minha fama &
carreira já estabelecidas. Tenho uma vida estável, somente eu &
minha amada [a esposa Ana Arnaut], filhos criados, minha
aposentadoria nos basta com certeza. Mas quero deixar bem claro: não
acho que dinheiro seja exatamente ruim. Dinheiro é um meio para um
ou muitos fins, mas que sejam nobres, entende? Aí quanto mais
melhor. Aliás, outro dia mesmo brincava aqui com as meninas e a
Sandra [Acessora de Mestre Araújo no Projeto e a quem dedico um
agradecimento especial por ter sido doce e atenciosa no auxílio a
esta entrevista o tempo todo], que se ganhasse na Mega Sena ou coisa
que a valha, meu sonho era construir um Hospital para atender à toda
a população idosa desta cidade, quiçá do país inteiro...
LMM – Há algum autor ou autores
que te chamem a atenção atualmente no cenário da Literatura
Brasileira ou mesmo no exterior?
FFdeA – Há um fato curioso
envolvendo um autor que de certa forma representa a cena daqui e lá
de fora. Tenho um livro intitulado “O Menino que queria ser Paulo
Coelho” que homenageava o autor do título através de um
personagem fictício; da época da publicação do mesmo, recebi
generoso agradecimento do Paulo pela mesma [ este vídeo se encontra
disponível na plataforma YouTube no canal do autor escritorFran2010 https://www.youtube.com/watch?v=YOPquxEMvqQ ]
LMM – Para finalizar esta
entrevista com chave de ouro, planos para o futuro?
FFdeA – Já tenho
quatro novos trabalhos que estarão prontos e publicados para a
campanha do próximo ano. Um tomo de reflexões, um de crônicas, um
Romance & um de poesias. Eu não paro! Intenciono
continuar a escrever e distribuir meus livros todos os anos enquanto
DEUS me permitir e me der condições para isso.
Com esta declaração termino ainda com uma citação do
próprio autor:
“NINGUÉM É O CENTRO DO MUNDO.
ELE PERTENCE A DEUS”.
OBRIGADO Mestre Chico!



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